
A Petrobras quer que seus quatro principais campos no RN voltem a produzir no volume de 10 anos atrás, época em que a companhia bombeava no Estado 115 mil barris por dia, mais do que toda a produção do Chile na época. A produção atual é de 78 mil barris/dia.
A meta é restabelecer as perdas na produção, calculadas em 12% ao ano pela exaustão dos poços, até 2016.E a recuperação se dará por meio de injeção de água ou vapor nos poços, usadas respectivamente para trazer óleo leve a óleo pesado. Os campos, que vem se beneficiando de um programa de investimentos de US$ 1 bilhão aplicados desde 2007, são os de Canto do Amaro, o maior deles, próximo a Mossoró; Ubarana, campo marítimo a 25 km da costa, à altura de Macau; Estreito, localizado no Vale do Açu e o campo de Alto do Rodrigues.
Ontem, o gerente de engenharia da Produção da unidade da Petrobras para o RN e CE, Fernando Carvalho Ribeiro, explicou que a tecnologia usada na recuperação da antiga performance dos campos potiguares não está na injeção de vapor ou água e sim na forma de injetar e na escolha dos poços a receberem o tratamento.
Carvalho acrescentou que, independentemente de investimentos na recuperação dos campos, a Petrobras não diminuirá o ritmo das perfurações novas no Estado. “A idéia continua sendo diminuir as distâncias entre poços para 70 metros entre um do outro”, afirmou. Nesse esforço que ele qualificou de contínuo, a estatal tem em operação no RN 13 sondas contratadas.
Ganhos
Com a injeção de vapor ou água, a empresa estima que Canto do Amaro volte a produzir não 40 mil barris/dia dos tempos áureos, mas pelo menos 32 mil barris até 2012. Hoje essa produção é de 23 mil barris/dia. Já para o campo de Ubarana, a expectativa da companhia é produzir 14 mil barris/dia até 2016. O campo já chegou a bombear 19 mil barris/dia nos bons tempos. No campo do Estreito, em Alto do Rodrigues, a expectativa é que se produza 19 mil barris/dia até 2014, superando a maior marca de 16 mil barris/dia, de 1998. Já no campo do Alto do Rodrigues, a meta é chegar a uma produção de 9 mil barris/dia até 2011, atingindo seu maior pico de produção.
Segundo Fernando Carvalho Ribeiro, assim que as águas baixarem a produção será retomada a todo vapor (e água). Em relação ao ano passado, quando as enchentes de abril também afetaram a produção nos campos, ele acredita que em 2009 o início dessa recuperação atrase mais 30 dias. “Quem passa pelo Alto do Rodrigues, Guamaré e Mossoró, pode perceber a agitação de pessoal trabalhando. É um verdadeiro canteiro de obras”, comenta.
Carvalho explica que os investimentos na produção nos campos do RN são permanentes e necessários. A Bahia, que começou a exploração petrolífera no final dos anos de 1930, tem hoje muito menos poços do que o Rio Grande do Norte com seus mais de 5 mil. “Aqui há muitos poços pulverizados pelas regiões produtoras”, lembrou Carvalho. Este ano, a unidade da Petrobras para o RN e CE prevê investimentos da ordem de R$ 1,9 bilhão. O custo de manutenção de operações representará outros R$ 1,6 bilhão, totalizando R$ 3,5 bilhões. Desses, 90% dos recursos ficarão Rio Grande do Norte.
Fonte: Tribuna do Norte